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Membro do Fórum
Data da Adesão: 25.10.2007
Localidade: Porto
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O espírito da música (capítulos VI, VII e VIII)
Enganei-me na "Preguiça", esse era o capítulo V.
Entrada forçada
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Sofia começava a ficar preocupada. Ela e o namorado, Verdes, estavam diante de uma das portas de madeira velha da residência universitária que albergava alunos da sua faculdade, mais propriamente diante da porta do quarto de Quental e Rasec. Este último tinha pedido que passasse pelo apartamento em questão mas faziam já alguns minutos que esperavam em vão. O casal estava a começar a ficar preocupado porque não era costume do amigo marcar algo ao qual não iria comparecer.
Foi então que Verdes se cansou da espera e pondo a mão direita diante de Sofia fê-la afastar-se da porta ficando encostada à parede de cal branca do edifício universitário.
-Sofia, afasta-te!
-Que vais fazer? - Perguntou a namorada assustada e surpreendida com a atitude.
-Já vais ver. – E dizendo isto, Verdes afastou-se o máximo possível da porta e pôs-se numa posição séria, pouco comum no jovem. De repente começou a correr e quando chegou perto da entrada do apartamento, talvez 1m, metro e meio, começou a rodopiar o corpo de forma a dar um pontapé lateral na fechadura que a fez quebrar-se e abrir a porta com um estrondo que certamente se teria ouvido no último piso do prédio.
- Então? Quem é o perito nestas coisas?
Após se recuperar da peripécia, acabou por lhe responder olhando-o com desdém.
-E o convencido?
Sofia sabia que o namorado não era convencido, o problema dele era outro: orgulho! Tinha que se achar e ser o melhor em tanta coisa, não podia depender de ninguém. Era verdade que as suas habilidades eram úteis mas podia não se vangloriar tanto. Às vezes Sofia lembrava-se do dia em que lhe tinha confessado os seus sentimentos. Perguntava-se a si mesma se teria feito bem em ter aceitado o seu pedido em namoro, ao aceitar ser sua namorada. Gostava dele, tal como ele gostava dela e era capaz de tudo para lhe arrancar um sorriso do rosto mas… às vezes sentia-se tão mal! Ela sentia-se humilhada e acima de tudo chateada consigo própria por não conseguir fazer metade do que o namorado era capaz. Isso fazia-a sentir-se de rastos até porque ela tinha uma pontinha de ciúme dele. Ciúme não, inveja! Era isso que ela sentia por ele naquelas alturas e o pior é que o pecado mortal era tão grande que a maioria das vezes acabava a descarregar a sua frustração nas pessoas de quem mais gostava, nas pessoas quem eram suas amigas e que estavam sempre ali para a ajudar em tudo o que ela precisasse.
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O corpo
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O casal entrou no apartamento. Verdes olhou em volta e nada viu de anormal, nenhuma razão para se preocuparem com Rasec.
Toda a sala estava arrumada embora tivesse uma revista de automóveis sobre o sofá de couro que se encontrava no centro da sala e algumas garrafas de cerveja vazias, umas deitadas, outras de pé, na mesa de vidro que ali estava.
Sofia respirou fundo e suspirou em tom de alívio. Ia agarrar na mão do namorado para se irem embora quando reparou numa porta aberta à sua esquerda, era o quarto de Quental. A curiosidade dela era bastante aguçada por isso dirigiu-se àquela divisão da casa. Espreitou para dentro do quarto. Viu algo que a perturbou. Aterrorizada com a imagem deu um pequeno grito que abafou quando dirigiu à boca ambas as mãos. Recolheu os braços para junto do corpo, o qual protegeu com os membros e deu meia volta ficando de costas para aquela visão assustadora para não ver aquilo nem um segundo mais. Verdes não deixou de estranhar esta razão e questionando-se porquê dirigiu-se à divisória. O que viu fê-lo arregalar os olhos. Mas não hesitou em caminhar em direcção à cabeça do colega para a poder juntar ao restante corpo. Foi quando agarrou nela que reparou que algo lhe preenchia a boca. Parecia… papel? Retirou-o e confirmou aquilo que pensava. Desamarrotou-o vendo que estava escrito. Tentou lê-lo mas o sangue mal deixava ver as letras azuis desenhadas naquele pedacinho branco que ele segurava entre os dedos. Com esforço consegui finalmente perceber as palavras:
“A vida ficará livre dos pecados.
E a preguiça foi o primeiro…
Todos os outros seguirão!”
Verdes esfregou o papel na sua camisola vermelha para limpar o sangue que o cobria e guardou-o no bolso das jeans com que sempre andava. Voltou a pegar na cabeça para cumprir o seu objectivo inicial, colocar a cabeça onde esta pertencia.
Voltou para junto da namorada e abraçou-a. Sabia o que ela estava a sentir naquele momento e não gostava de a saber assim. Colocou o seu braço direito sobre os seus ombros e arrastou-a para fora daquelas quatro paredes. Entretanto a sua cabeça estava num turbilhão. “Onde estaria Rasec? O que teria acontecido naquele apartamento? As lendas que se ouviam pela faculdade seriam, afinal de contas, verdadeiras? Não, não era possível! Mas se não fossem, então como Quental teria morrido?” Estas dúvidas não lhe saiam da cabeça.
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Orgulho
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Verdes tentava animar Sofia, tentava fazer com que ela se sentisse melhor, mas apesar de todo o seu esforço ele não via melhoras no seu estado. Sofia continuava nervosa e isso notava-se no seu corpo que tremia. Parecia que o que tinha acabado de acontecer tornava a missão de Verdes numa missão impossível tal como o êxito que tinha colocado Tom Cruise no patamar da fama, até porque ele próprio ainda estava um pouco abalado com o que tinha visto. O quarto estava salpicado de sangue por quase todo o seu espaço e a cabeça de Ice no chão teria feito arrepiar qualquer um, inclusive os mais corajosos. A cena tinha-se apresentado demasiado macabra. Ainda por cima ainda não tinham tido o mínimo sinal de Rasec. Teria sido ele o assassino? A hipótese já tinha passado pela mente de Verdes até porque, além do seu desaparecimento, qual seria a explicação para a porta estar fechada, quando lá chegaram, senão ter sido fechada por algum portador, e muito provavelmente dono, da sua chave?
Parecia não haver forma de acalmar a namorada. O que tinha acontecido tinha realmente chocado Sofia. Assim, Verdes lembrou-se de ir buscar água com açúcar para a acalmar, talvez isso resultasse. Assim dirigiu-se à porta da cozinha do apartamento em que estavam, escondida pelos biombos de madeira e pelo sofá do qual se tinha levantado. Chegou-se à mesa-balcão situado no meio da divisão no qual se encontravam alguns potes de metal identificados com o respectivo conteúdo. Um deles continha açúcar por isso agarrou nele e viu o pacote branco identificativo da substância pretendida. Rasec era mesmo assim… Apesar das suas qualidades, Rasec era exageradamente relaxado e nunca poria o açúcar da forma mais habitual, da forma mais comum entre a maioria das pessoas. Verdes pegou no pacote que se encontrava na sua frente e foi procurar uma colher no meio de tantas gavetas que os balcões tanto tinham. Estava demasiado nessa tarefa que nem reparou na entrada de uma rapariga na cozinha. Foi ao abrir uma dessas gavetas que ele deu por ela visto que lhe tinha posto uma mão sobre o ombro direito. O rapaz fechou a gaveta e tentou-se voltar mas sentiu algo frio ser-lhe encostado ao pescoço. Ficou em choque! O que tinha ao pescoço era provavelmente uma faca. Rodou a cabeça e ficou chocado com a beleza da rapariga. Apesar de amar a namorada, Verdes ficava deslumbrado facilmente pelo sexo oposto. Era uma das suas fraquezas. E gostou particularmente desta pois apesar era uma beleza assustadora, tenebrosa, terrível mas por detrás do medo que este rosto lhe podia causar a admiração por tal criatura conseguia sobrepor-se a essa sensação pois era a rapariga mais bela que alguma vez tinha visto com os seus cabelos cumpridos e de cor invulgar. Estava tão fixado na sua beleza que nunca mais se tinha lembrado da faca encostada ao pescoço até a sentir rasgar-lhe a garganta, começando a sangrar de imediato. Deixou cair o pacote de açúcar juntamente com a lata em que estava guardado causando um barulho metálico ao chegar ao chão. Da sala ouviu-se um grito de susto que vinha de Sofia que fez a rapariga despachar-se na tarefa aterradora que a tinha levado até àquela cozinha.
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Obrigado Nexinha! ^^
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